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quinta-feira, 23 de abril de 2026

O fim do dinheiro não é técnico — é político

O desaparecimento do dinheiro fiduciário não está a ser anunciado - Está a ser preparado de forma silenciosa, progressiva e tecnicamente justificada… 

A União Europeia tem vindo a redesenhar a forma como o dinheiro circula na economia, substituindo o numerário por soluções digitais que, embora mais eficientes, carregam consigo uma consequência profunda: a erosão da liberdade individual de cada pessoa.

Durante décadas, o dinheiro físico foi o último reduto de autonomia financeira do cidadão. Ao contrário de qualquer outro meio de pagamento, permitia transacionar sem intermediários, sem registo e sem autorização. Era, na sua essência, um instrumento de liberdade. Hoje, essa característica passou a ser vista como um problema. O anonimato, que antes era um direito implícito, é agora tratado como uma vulnerabilidade do sistema — algo a eliminar em nome da transparência, da segurança e do combate à fraude. Pelo Bem de todos (dizem eles!...)


sábado, 18 de abril de 2026

Investir: a arte de adiar o presente para conquistar o futuro

Poucas palavras são tão utilizadas — e simultaneamente tão mal compreendidas — como “investir”.

A própria etimologia ajuda a resgatar o seu verdadeiro significado. A palavra “investimento” deriva do latim investire, que significa “revestir”, “atribuir valor”, “dotar”. Não se trata, portanto, de um ato aleatório, nem de uma aposta circunstancial. É, desde a sua origem, um ato deliberado de alocação: abdicar de alguma coisa no presente com o propósito consciente de o transformar em alguma coisa substancialmente superior no futuro.


E é precisamente aqui que nasce o erro mais comum: confundir investimento com especulação.


domingo, 12 de abril de 2026

Lucros extraordinários: justiça fiscal ou oportunismo político?

Há conceitos que entram no debate público com uma força quase moral, dispensando explicações — e os chamados “lucros extraordinários” são um desses casos. 


Num contexto de subida acentuada dos preços dos combustíveis, frequentemente associada a tensões geopolíticas envolvendo o Irão e outros focos de instabilidade energética, rapidamente se instalou a ideia de que há empresas a ganhar “demais” e que, por isso, o Estado deve intervir. Parece simples. Talvez até intuitivo. O problema é que a economia raramente funciona por intuições — e ainda menos por slogans.

Comecemos pelo essencial: o que são, afinal, lucros extraordinários? A nível europeu, a própria Comissão Europeia tentou dar resposta a esta questão em 2022, no contexto da crise energética, definindo como “excedente” os lucros que ultrapassassem em mais de 20% a média dos últimos quatro anos no setor energético. Ou seja, mesmo ao nível institucional, não estamos perante um conceito absoluto, mas antes um critério administrativo e circunstancial. Extraordinário, afinal, é aquilo que se decide que é!


quinta-feira, 2 de abril de 2026

Educação: Qualidade ou Quantidade?



Nos últimos anos, o debate sobre a educação tem sido cada vez mais dominado por métricas quantitativas: taxas de sucesso, percentagens de conclusão, estatísticas comparativas. Mas será que estamos a medir aquilo que realmente importa?

A educação não se pode resumir a números. A sua verdadeira essência reside na qualidade do conhecimento transmitido, na capacidade de formar indivíduos críticos, autónomos e preparados para enfrentar a complexidade do mundo real. E é precisamente aqui que começam os problemas.

Tem-se assistido a uma tendência crescente para o facilitismo. Em nome de uma suposta inclusão e bem-estar emocional, diluem-se critérios de exigência, suavizam-se avaliações e evitam-se confrontos com as dificuldades. Parece que todos os estímulos sociais vão no sentido de proteger os alunos de qualquer frustração, como se o rigor fosse prejudicial e a exigência um risco de “traumatizar”.

Mas a realidade não funciona assim.